Dentre as doenças fúngicas que ocorrem na videira, destacam-se míldio, oídio, antracnose, podridões radiculares, morte descendente, podridões de cachos, além da ferrugem e a mancha das folhas. As doenças causadas por bactérias e por fitonematoides podem afetar seriamente a planta, prejudicando o seu desenvolvimento, o estabelecimento no campo e a qualidade dos frutos produzidos, constituindo-se, dessa forma, fator limitante à produtividade.
As viroses também podem comprometer severamente a produção, a qualidade da uva e causar a morte de plantas jovens e adultas. As perdas podem chegar a 70% da produção. Até 4 ºBrix podem ser perdidos no teor de açúcar da uva. Nos vinhos, além de baixar o teor alcoólico, os danos causados pelas doenças podem gerar uma diminuição acentuada na intensidade de cor dos tintos.
Míldio
(Plasmopara viticola)
É favorecido por clima quente e úmido. Mesmo em regiões semiáridas, causa grandes danos no primeiro semestre, durante o período chuvoso. Cultivares de Vitis vinifera são mais suscetíveis que as de V. labrusca. Sem manejo adequado, pode provocar severas perdas devido à rápida disseminação do patógeno.
Sintomas: O patógeno afeta folhas, ramos, inflorescências e frutos. Nas folhas, surgem manchas amareladas de aspecto oleoso na face superior e mofo branco na face inferior em condições úmidas, podendo ocorrer desfolha. Brotos e ramos escurecem e ficam recobertos pelo fungo. Inflorescências deformam-se e cachos apresentam escurecimento da ráquis e murcha das bagas, que podem tornar-se coriáceas.
Manejo: Deve ser iniciado precocemente, preferencialmente de forma preventiva em condições favoráveis à doença. A inspeção frequente do parreiral e a remoção de folhas infectadas auxiliam no controle. O uso de fungicidas é a principal estratégia, recomendando-se alternar produtos sistêmicos e protetores, bem como diferentes princípios ativos, para evitar resistência.
Foto: Maria Angélica G. Barbosa
Oídio
(Erysiphe necator)
O oídio é uma das doenças da videira mais importantes em regiões de clima seco e com baixa precipitação, como o Vale do São Francisco. Sua ocorrência é mais intensa no segundo semestre, quando predominam temperaturas mais amenas e baixa umidade. Nessas condições, a doença pode causar perdas significativas se não houver controle adequado.
Sintomas: A doença afeta as partes verdes da planta, com crescimento branco a acinzentado em folhas, ramos, flores e frutos. A infecção na inflorescência provoca queda de flores e bagas. Nas uvas, surgem manchas e rachaduras, reduzindo a qualidade. As rachaduras favorecem a entrada de patógenos causadores de podridões.
Manejo: O controle baseia-se principalmente na aplicação de fungicidas. As pulverizações devem iniciar no começo da brotação, prevenindo infecções a partir de micélio dormente. O enxofre é amplamente utilizado, devendo ser alternado com fungicidas sistêmicos. O número de aplicações depende da intensidade da doença, avaliada por monitoramento frequente do parreiral.
Foto: Maria Angélica G. Barbosa
Declínio da videira causado por fungos
Diversos fungos estão associados ao declínio da videira em regiões vitícolas do mundo. No Submédio do Vale do São Francisco, perdas superiores a 60% têm sido registradas, especialmente em mudas e parreirais jovens. O problema pode levar à erradicação de áreas inteiras devido à baixa produtividade e à mortalidade de plantas.
Manejo: A principal medida é o uso de material propagativo sadio, embora a detecção seja difícil. Em viveiros, recomenda-se sanitização, termoterapia dos bacelos e tratamento químico das raízes antes do plantio. Em campo, o controle é limitado, devendo-se evitar estresses iniciais. A poda curativa, a eliminação de plantas severamente afetadas e a desinfestação de ferramentas são práticas essenciais.
Veja abaixo as principais doenças fúngicas que ocorrem no Brasil.
Doença de Petri
(Phaeoacremonium spp. e Phaeomoniella chlamydospora)
Acomete principalmente plantas jovens, do viveiro aos parreirais. Os sintomas incluem brotação falha, redução do crescimento, entrenós curtos, clorose ou avermelhamento foliar. Em estágios avançados, causa morte de ramos ou morte súbita próxima à colheita, quando a planta se encontra sob alta demanda energética. Internamente, observam-se pontuações escuras no xilema e pontos negros nas bagas.
Pé-preto
(Cylindrocarpon spp. e Campylocarpon spp.)
Afeta plantas jovens e apresenta sintomas aéreos semelhantes à doença de Petri: brotação falha, redução do crescimento e entrenós curtos. Algumas plantas exibem escurecimento do colo, próximo ao solo. No xilema, há estrias escuras visíveis em cortes longitudinais. As raízes podem adquirir coloração arroxeada, permanecendo aderidas apenas as de maior calibre. Na fase produtiva da planta, a morte súbita é comum.
Morte descendente
Espécies de Botryosphaeriaceae (Lasiodiplodia, Neofusicoccum, Fusicoccum, Dothiorella, Diplodia)
A morte descentende da videira pode ocorrer em material propagativo ou em plantas adultas. No ponto de enxertia, o fungo causa necrose e falhas no pegamento. Em plantas jovens ou adultas, os sintomas incluem brotação irregular, secamento dos ramos no sentido das extremidades para a base e, em cortes transversais, necroses setoriais em formato de “V”.
Fusariose
(Fusarium oxysporum f. sp. herbemontis)
Por colonizar o xilema, quando ocorre em plantas de videira a fusariose apresenta sintomas semelhantes aos demais patógenos de declínio, a exemplo da redução do vigor, ramos e folhas menores, redução ou ausência de cachos, podendo evoluir para morte da planta. Internamente, observa-se descoloração vascular. Além disso, as raízes infectadas podem apresentar coloração rósea intensa.
Eutipiose
(Eutypa lata)
Característica de plantas adultas, resulta em declínio progressivo: brotação fraca, entrenós curtos, clorose e folhas reduzidas. Bordos foliares podem apresentar necroses marginais. No lenho, observam-se necroses em “V”.
A principal medida de manejo é o uso de material propagativo sadio. Ferramentas de poda devem ser desinfestadas com produtos clorados ou amônia quaternária e plantas totalmente comprometidas devem ser erradicadas com raízes.
Viroses
Mais de 100 vírus já foram descritos em videira no mundo. No Brasil, foram registrados cerca de 21 espécies virais e três viroides.
Enrolamento da folha
Virose mais importante da videira, ocorre em todas as regiões vitícolas do mundo. Está associada a diferentes espécies de Grapevine leafroll-associated virus (GLRaV-1, 2, 3 e 4). Folhas mais velhas apresentam enrolamento e tornam-se quebradiças. Em cultivares tintas ocorre avermelhamento internerval e nas brancas há amarelecimento, mantendo as nervuras verdes. Causa redução do vigor, da produtividade e da qualidade dos frutos. O controle baseia-se no uso de material propagativo certificado e livre de vírus. A transmissão ocorre por enxertia e pelo uso de gemas, copas ou porta-enxertos infectados. A erradicação de plantas infectadas e o controle de cochonilhas reduzem sua disseminação.
Complexo do lenho rugoso
Causa redução do vigor e da produtividade das plantas e engloba doenças caracterizadas por sulcos ou enrugamento no tronco, três delas com etiologia viral confirmada pertencente à família Betaflexiviridae. Os agentes estão associados principalmente a vírus transmitidos por cochonilhas. As principais doenças incluem caneluras do tronco, associada ao GRSPaV, que também pode causar necrose das nervuras; canaladura do lenho de Kober, causada pelo GVA e o intumescimento dos ramos, causado pelo GVB. O manejo baseia-se no uso de material propagativo sadio e certificado, incluindo copas e porta-enxertos, além do controle das cochonilhas.
Mancha ou mosaico das nervuras
Causada por GFkV (Grapevine fleck virus) Provoca manchas cloróticas irregulares, deformação das folhas e redução do crescimento, mas pode permanecer assintomático em algumas cultivares. Em videiras infectadas com o GFkV no Vale do São Francisco, o GRVFV (Grapevine rupestris vein feathering virus) é frequentemente encontrado associado a este vírus. Como não há vetores conhecidos, o controle é preventivo, pela utilização de material propagativo sadio.
Publicações
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Curso
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Organizadora: Embrapa
Duração: 30 dias
Carga horária: 10 horas