Para que os produtores brasileiros pudessem aproveitar todo o potencial dessa tecnologia, a Embrapa Hortaliças desenvolveu um programa para a obtenção da semente genética LV e a manutenção da qualidade da semente básica e das categorias subsequentes. O objetivo principal não era apenas transferir, mas garantir que os produtores pudessem produzir e manter a semente LV em suas próprias propriedades, o que ajuda a reduzir a dependência de fornecedores externos e diminuir os custos de produção, visto que a semente representa cerca de 35% do custo total. A tecnologia alho-semente livre de vírus é um sistema tecnológico que engloba, além da obtenção da semente genética livre de vírus, a multiplicação e a manutenção do alho-semente LV em telados antiafídeos e em campo aberto.
Obtenção da Semente LV
É a primeira fase do sistema. A produção de semente genética de alho livre de vírus (LV) envolve uma série de etapas cuidadosamente planejadas para garantir a sanidade e a qualidade fisiológica da semente.
1ª etapa – Limpeza viral
É iniciada pela termoterapia, quando os bulbilhos selecionados são mantidos em estufa com temperatura controlada de 37°C por 30 a 40 dias, dependendo da variedade. Esse tratamento visa eliminar grande parte dos vírus presentes nos bulbilhos. Para as variedades de alho nobre, após a termoterapia, os bulbilhos seguem para a vernalização, necessária para induzir a formação de bulbos. É importante destacar que a termoterapia é mais eficiente contra algumas espécies de vírus do que outras. Posteriormente, realiza-se o cultivo in vitro dos meristemas - pontos de crescimento vegetal de difícil acesso pelos vírus, com o objetivo produzir microbulbos. O processo inicia com a retirada do explante dos bulbilhos, que passa por desinfecção rigorosa para eliminar patógenos presentes na superfície, seguida da extração do meristema, que são então colocados em meio de cultura até a formação dos microbulbos. Essa etapa é realizada em laboratório especializado em cultura de tecidos.
1ª etapa – Limpeza viral
É iniciada pela termoterapia, quando os bulbilhos selecionados são mantidos em estufa com temperatura controlada de 37°C por 30 a 40 dias, dependendo da variedade. Esse tratamento visa eliminar grande parte dos vírus presentes nos bulbilhos. Para as variedades de alho nobre, após a termoterapia, os bulbilhos seguem para a vernalização, necessária para induzir a formação de bulbos. É importante destacar que a termoterapia é mais eficiente contra algumas espécies de vírus do que outras. Posteriormente, realiza-se o cultivo in vitro dos meristemas - pontos de crescimento vegetal de difícil acesso pelos vírus, com o objetivo produzir microbulbos. O processo inicia com a retirada do explante dos bulbilhos, que passa por desinfecção rigorosa para eliminar patógenos presentes na superfície, seguida da extração do meristema, que são então colocados em meio de cultura até a formação dos microbulbos. Essa etapa é realizada em laboratório especializado em cultura de tecidos.
2ª etapa – Aclimatação e indexação
A aclimatação consiste na adaptação dos microbulbos produzidos in vitro para o cultivo em campo ou telado. Essa etapa ocorre em ambientes de transição, como casas de vegetação ou telados, totalmente protegidos por cobertura plástica e telas antiafídeos, com uso de antecâmaras com pedilúvio e ventiladores para prevenir infecções virais e o ataque de outras pragas. Os microbulbos são plantados em vasos ou caixas plásticas com substratos específicos, enriquecidos com fertilizantes à base de NPK e micronutrientes, preferencialmente de liberação lenta ou controlada, garantindo a disponibilidade gradual de nutrientes conforme a necessidade da planta. O processo é gradual e controlado, durando três anos, evitando estresse ou danos às plantas e permitindo a execução da indexação, com testes que comprovam a ausência de vírus. No primeiro ano, plantas derivadas dos microbulbos são testadas para detecção de vírus. Os testes utilizados são os sorológicos, como o DOT-Elisa e os meleculares, como a PCR. As plantas infectadas são descartadas, e as sadias seguem o ciclo de desenvolvimento. Depois de colhidas, são curados e armazenadas para plantio no ano seguinte. No segundo ano é feita uma nova rodada de testes; as plantas infectadas são eliminadas e as livres de vírus seguem para o terceiro ano de avaliação, quando se tem, então, a confirmação da sanidade. Os bulbos e bulbilhos livres de vírus são então classificados como semente genética.
3ª etapa – Multiplicação em escala da semente genética
A semente genética é multiplicada em telados antiafídeos, conhecidos como matrizeiros. O cultivo é realizado em canteiros suspensos com substrato esterilizado, sob rigoroso controle fitossanitário, garantindo a produção em escala e ser formalmente disponibilizada para os parceiros da Embrapa, para produção em larga escala da semente básica, conhecida por G0.
4ª etapa – Aclimatação
A aclimatação consiste na adaptação dos microbulbos produzidos in vitro para o cultivo em campo ou telado. Essa etapa ocorre em ambientes de transição, como casas de vegetação ou telados, totalmente protegidos por cobertura plástica e telas antiafídeos, com uso de antecâmaras com pedilúvio e ventiladores para prevenir infecções virais e o ataque de outras pragas.
O processo é gradual e controlado, durando até três anos, evitando estresse ou danos às plantas e permitindo a execução da indexação, com testes que comprovam a sanidade viral.
Antes da aclimatação, os microbulbos passam por câmara fria: inicialmente a 10–12°C para superar a dormência; depois a 3–5°C nas variedades que necessitam de vernalização. Esse período pode durar até 60 dias.
Os microbulbos são plantados em vasos ou caixas plásticas com substratos específicos, enriquecidos com fertilizantes à base de NPK e micronutrientes, preferencialmente de liberação lenta ou controlada, garantindo a disponibilidade gradual de nutrientes conforme a necessidade da planta.
A aclimatação consiste na adaptação dos microbulbos produzidos in vitro para o cultivo em campo ou telado. Essa etapa ocorre em ambientes de transição, como casas de vegetação ou telados, totalmente protegidos por cobertura plástica e telas antiafídeos, com uso de antecâmaras com pedilúvio e ventiladores para prevenir infecções virais e o ataque de outras pragas.
O processo é gradual e controlado, durando até três anos, evitando estresse ou danos às plantas e permitindo a execução da indexação, com testes que comprovam a sanidade viral.
Antes da aclimatação, os microbulbos passam por câmara fria: inicialmente a 10–12°C para superar a dormência; depois a 3–5°C nas variedades que necessitam de vernalização. Esse período pode durar até 60 dias.
Os microbulbos são plantados em vasos ou caixas plásticas com substratos específicos, enriquecidos com fertilizantes à base de NPK e micronutrientes, preferencialmente de liberação lenta ou controlada, garantindo a disponibilidade gradual de nutrientes conforme a necessidade da planta.
5ª etapa – Indexação
A indexação é a fase final, destinada a confirmar a eliminação dos vírus nos microbulbos obtidos. O processo ocorre simultaneamente à aclimatação e se estende por três anos consecutivos:
- Primeiro ano: plantas derivadas dos microbulbos são testadas para detecção de vírus; plantas infectadas são descartadas, enquanto bulbos sadios são curados, armazenados e replantados no ano seguinte.
- Segundo ano: nova rodada de testes; plantas infectadas eliminadas, plantas livres de vírus seguem para o terceiro ano.
- Terceiro ano: confirmação da sanidade; bulbos livres de vírus são classificados como semente genética (G0).
Manutenção da Semente LV
A segunda fase, realizada em áreas de produtores, consiste na multiplicação e manutenção da semente básica em telados antiafídeos, seguida pela produção de sementes em campo aberto e envolve práticas agrícolas. Do alho-semente LV produzido nos telados, é recomendado que haja uma seleção de 10% dos bulbos de maior tamanho para armazenamento e replantio do telado no ano seguinte. O restante da produção é destinado ao plantio do campo de produção de sementes. Essa fase, tem início com a obtenção da semente genética para ser multiplicada dentro de telados antiafídeos, seguindo um criterioso controle de acesso aos telados para prevenir a entrada de pulgões – os principais transmissores dos vírus, e o monitoramento constante desses insetos e de vírus. O alho-semente LV produzido nos telados é chamado de G0 (geração zero) e, enquanto estiver sendo cultivado nesse ambiente, sua geração não avança. A partir da semente G0, são plantados os campos de produção de semente G1, que recebe esse nome pelo fato da semente estar sendo cultivada pela primeira vez em campo aberto. A partir da G1, a cada ano de plantio em campo, vai aumentando a geração do alho-semente e, consequentemente o acúmulo de vírus nas plantas. No entanto, de acordo com dados científicos, até a terceira geração (G3) tem-se uma semente de boa qualidade que ainda garante altas produtividades na lavoura comercial. A principal diferença entre no sistema de produção do alho-semente LV nos telados e em campo aberto está relacionado ao espaçamento de plantio que, dentro do telado, é mais adensado, visando uma maior produção de bulbilhos (dentes) independentemente do tamanho. Já em campo aberto, o espaçamento é o mesmo da produção comercial, obtendo-se dentes maiores. Embora a técnica de limpeza viral seja altamente eficaz e tenha revolucionado a produção de alho, a erradicação completa de todos os vírus é um desafio, sendo os Allexivirus mais difíceis de eliminar do que outros vírus comuns do alho como os Potyvirus e Carlavirus. Nessa perspectiva, a adoção do sistema tecnológico pode ser formada pela combinação ou utilização individual do processo de obtenção da semente genética LV ou da multiplicação de alho-semente em telados antiafídeos e em campos de produção de sementes, em áreas de produtores.
É fortemente recomendado o uso de telados ou casas de vegetação com:
É fortemente recomendado o uso de telados ou casas de vegetação com:
- Teto com tela antiafídeo coberto por filme plástico;
- Proteções laterais também com telas antiafídeos;
- Antecâmaras com pedilúvio e ventiladores para dificultar a entrada de insetos vetores de vírus e outras pragas.
A manutenção da semente LV nos telados é fundamental para fornecer semente das G1, G2 e G3 com alta qualidade fisiológica e fitossanitária para os campos de produção de semente e lavouras comerciais de alho, garantindo a produtividade e a qualidade da produção comercial ao longo do tempo. Para isso, devem ser adotadas práticas rigorosas de seleção e sanitização dos bulbilhos utilizados:
- Inspeções periódicas eliminam imediatamente plantas que apresentem sintomas de infecção viral, como estrias amareladas e amarelecimento foliar, deformidades nos bulbos ou sinais de deficiência nutricional.
- A pureza genética deve ser assegurada, removendo plantas com características diferentes da cultivar original, como alterações de forma, altura ou coloração das folhas.
- A realização periódica de testes de detecção de vírus é crucial, especialmente em plantas que apresentem possíveis sintomas. Esses testes permitem identificar infecções e implementar medidas imediatas de eliminação de plantas infectadas, além de corrigir falhas de segurança e prevenir a entrada de vetores no telado.
O estado fisiológico e nutricional do alho-semente LV é determinante para a produção de semente genética de alta qualidade:
- A condição fisiológica envolve características da planta, como teor de água, equilíbrio
- hormonal e reservas de nutrientes;
- O estado nutricional depende da qualidade do substrato e do fornecimento adequado de nutrientes essenciais, por meio de adubação.
Técnicas como fertirrigação e sistemas semi-hidropônicos podem ser utilizados para otimizar a adubação e aumentar a eficiência da nutrição das plantas matrizes LV, garantindo maior produtividade e sanidade das sementes produzidas.
Seleção Clonal
A seleção clonal é uma prática fundamental para a manutenção da pureza genética da cultivar nos matrizeiros e nos telados antiafídeos. Essa técnica baseia-se na observação de um conjunto de características fenotípicas específicas da variedade, permitindo identificar plantas mais vigorosas, com altura e bulbos maiores, que podem originar novas cultivares. A seleção clonal pode ser realizada tanto em instituições de pesquisa quanto nas propriedades rurais.
Instituições de pesquisa
Nas instituições de pesquisa, a seleção clonal é utilizada para:
- Garantir a pureza da cultivar original;
- Identificar plantas fenotipicamente superiores;
- Complementar o processo de limpeza viral, assegurando a obtenção de cultivares livres de vírus.
Essa técnica é amplamente adotada por instituições como a Embrapa, tornando-se um método essencial para a produção de sementes genéticas LV com alta qualidade fitossanitária e manutenção da sustentabilidade da cadeia produtiva.
Na propriedade rural
O produtor deve:
- Identificar as plantas mais vigorosas na lavoura;
- Separar bulbos maiores na colheita, reservando-os como semente para o próximo plantio;
- Repetir essa prática a cada plantio, padronizando a produção com bulbos de maior diâmetro e aumentando os ganhos econômico
O fenótipo das plantas é avaliado com base em características morfológicas, como:
- Tamanho, formato e cor das folhas;
- Coloração das flores;
- Altura das plantas; entre outros.
Se o produtor identificar plantas com características muito diferentes da cultivar, é recomendável comunicar um extensionista rural, pois pode estar surgindo uma nova cultivar.
Multiplicação
As plantas selecionadas são colhidas e armazenadas separadamente das demais. No plantio seguinte, os bulbilhos de cada planta são semeados em linhas separadas, formando famílias distintas. Por exemplo: se cinco plantas forem selecionadas, os bulbilhos da planta 1 são plantados na
linha 1, os da planta 2 na linha 2, e assim por diante, todos devidamente identificados. Cada linha representa uma família derivada de um único bulbo. No ano seguinte, as melhores plantas de cada família são novamente selecionadas e replantadas.
Nas instituições de pesquisa, as famílias passam por indexação, garantindo que apenas aquelas livres de vírus permaneçam no processo de seleção clonal, aumentando a eficiência da produção de semente genética LV com pureza e alta qualidade fitossanitária. Na propriedade rural, recomenda-se que o produtor utilize métodos semelhantes, mantendo a pureza genética da cultivar, separando famílias com características produtivas superiores e reservando os bulbos de maior diâmetro para o próximo plantio, repetindo essa observação a cada ciclo.
linha 1, os da planta 2 na linha 2, e assim por diante, todos devidamente identificados. Cada linha representa uma família derivada de um único bulbo. No ano seguinte, as melhores plantas de cada família são novamente selecionadas e replantadas.
Nas instituições de pesquisa, as famílias passam por indexação, garantindo que apenas aquelas livres de vírus permaneçam no processo de seleção clonal, aumentando a eficiência da produção de semente genética LV com pureza e alta qualidade fitossanitária. Na propriedade rural, recomenda-se que o produtor utilize métodos semelhantes, mantendo a pureza genética da cultivar, separando famílias com características produtivas superiores e reservando os bulbos de maior diâmetro para o próximo plantio, repetindo essa observação a cada ciclo.