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Armazenamento

O armazenamento adequado do alho após a colheita é uma etapa essencial para preservar a qualidade comercial, reduzir perdas pós-colheita e manter o valor nutricional e condimentar dos bulbos. Após a cura, o alho está fisiologicamente preparado para entrar em período de repouso, no qual deve ser mantido sob condições controladas para evitar brotações, desidratação excessiva, escurecimento das túnicas e ataque de pragas.

1. Condições ideais de armazenamento

Os alhos devem ser acondicionados em lugares ou locais cobertos, limpos, secos, ventilados, com dimensões conforme os volumes a serem acondicionados, a fim de evitar efeitos prejudiciais para sua qualidade e conservação.
  • Temperatura
A temperatura é o fator mais importante para prolongar o período de repouso. De acordo com recomendações, o alho pode ser armazenado nas seguintes condições: 
  • Em temperatura ambiente ou em salas/câmaras refrigeradas com temperaturas entre 20 a 23°C. Precisa ser em local com pouca luminosidade, pois a luz acelera a brotação, com umidade para evitar ataques de fungos e com boa ventilação. O alho armazenado em temperatura ambiente pode manter qualidade comercial por  4 a 6 meses, dependendo da cultivar
  • Em câmaras frigorificas entre  0ºC a 2°C melhor para conservação prolongada (4 a 9 meses), reduzindo brotação e atividade metabólica e 5ºC a 10 °C  recomendado para períodos médios de armazenagem. O alho armazenado em câmaras frias pode manter qualidade comercial por até 9 meses, dependendo da cultivar.
 
  • Umidade Relativa
A umidade relativa ideal situa-se entre 60 e 70%, suficiente para evitar desidratação excessiva sem favorecer fungos. Umidades acima de 75% aumentam o risco de Aspergillus, Penicillium e podridões bacterianas; níveis muito baixos aceleram o ressecamento das túnicas e perda de peso.
 
  • Ventilação
A circulação de ar é fundamental para remover calor e umidade produzidos pelos bulbos. Ambientes fechados, sem renovação de ar, favorecem fungos e deterioração. Os locais de armazenamento incluem estruturas como:
  • galpões ventilados com fluxo cruzado,
  • câmaras frias com ventilação forçada,
  • estruturas suspensas (estaleiros) ou “paiol” com circulação natural.
 

2. Formas de armazenamento

O alho pode ser armazenado de diferentes formas, conforme o nível tecnológico da propriedade:
a) Em caixas, sacarias ou engradados
Utilizados por empresas e grandes produtores para venda no mercado atacadista. Utilizam-se sacos de ráfia e caixas de papelão ou plásticas com capacidade padronizada em 10 kg.  Empilhados com espaçamento para circulação de ar. São comuns em propriedades familiares e exigem ambiente naturalmente arejado e protegido da luz.
b) Em “réstias” ou tranças
Método tradicional de armazenamento dos bulbos junto com as folhas e raízes em que utiliza a própria folhagem trançada da planta. São comuns em propriedades familiares e permite boa ventilação e facilita o manuseio, mas exige galpão fresco, seco e sombreado.
 

3. Cuidados durante o armazenamento

  • Manter as túnicas intactas: reduzem desidratação e entrada de patógenos.
  • Evitar exposição direta à luz: acelera a brotação.
  • Monitorar semanalmente para retirar bulbos deteriorados e evitar contaminações cruzadas.
  • Não misturar lotes de diferentes idades ou condições, para não comprometer a uniformidade.
  • Evitar danos mecânicos no manuseio, que facilitam infecções fúngicas.
 

4. Principais problemas no armazenamento

a) Brotação
Favorecida por temperaturas entre 10 e 20 °C e alta umidade.
Prejudica a aparência e reduz o peso comercial.
 
b) Desidratação
Comum em ambientes secos e quentes. Reduz peso, brilho e firmeza.
 
c) Podridões
Causadas principalmente por fungos dos gêneros Penicillium, Fusarium e Aspergillus.
Ambientes úmidos e pouco ventilados favorecem seu desenvolvimento.