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Fenologia

A Fenologia é a ciência que estuda a relação entre os ciclos biológicos (fenofases) de uma planta, seus aspectos morfológicos e as condições ambientais. Em essência, ela descreve como a planta se desenvolve através de suas diferentes fases: germinação, emergência, crescimento vegetativo, florescimento, frutificação, formação de sementes ou bulbos e maturação.
O ciclo fenológico do alho pode variar de 120 a Reconhecer e compreender precisamente essas fases é fundamental para o produtor. Esse conhecimento permite o planejamento otimizado de todas as etapas de manejo da cultura, garantindo a aplicação de irrigação e adubação nos momentos de maior necessidade. Além disso, a fenologia serve como um indicador fundamental para monitorar o desenvolvimento adequado da cultura, assegurando que ela possa atingir seu máximo potencial produtivo. O ciclo fenológico do alho pode variar de 90 a 180 dias, dependendo da cultivar e das condições de clima e solo. Apesar de haver diferenças entre variedades comuns e nobres, as fases principais são as mesmas para todas.150 dias, dependendo da cultivar e das condições de clima e solo. Apesar de haver pequenas diferenças entre variedades comuns e nobres, as fases principais são as mesmas para todas. 

Fase de Dormência (S0)


Primeiro estágio da escala fisiológica. A fase de dormência dos bulbilhos dura cerca de 70 dias após a colheita e está ligada a um balanço hormonal interno, com maior concentração de inibidores de crescimento, como o ácido abscísico (ABA). Nessa fase não ocorre desenvolvimento da gema de brotação, mesmo se colocado em condições climáticas favoráveis à quebra da dormência. O estado de dormência se inicia após a formação das folhas de proteção (brácteas) e das gemas de brotação, no final do ciclo produtivo, ainda em campo.
A dormência pode ser superada após esse período de forma natural, com a exposição a temperaturas mais baixas ou com o tratamento dos bulbilhos com reguladores de crescimento.

Indução da Brotação (S1)


Se caracteriza pelo início das mudanças hormonais nos bulbilhos, como o aumento da concentração dos hormônios promotores de crescimento (giberelinas e citocininas) na folha de brotação e diminuição dos hormônios inibidores do crescimento. A dormência é superada gradativamente, e se inicia o crescimento da folha de brotação, ainda dentro do bulbilho. O processo de debulha acelera o crescimento da gema de brotação. Por isso recomenda-se que a debulha seja feita no máximo, 30 dias antes do plantio, para não comprometer a qualidade do alho-semente. Tem-se observado também temperaturas mais baixas (12° a 15° C), causa promove a quebra da dormência e acelera o processo de brotação. Manter os bulbilhos imersos em água corrente por 24 horas também promove a quebra da dormência e uniformiza a brotação dos bulbilhos.

Fase Vegetativa (EM)


É caracterizada pelo desenvolvimento da parte aérea da planta, iniciada a partir da brotação dos bulbilhos. Os estágios demonstram mudanças específicas na planta, como a emissão e a senescência constante das folhas, aumento do tamanho das plantas, bem como da área foliar, desenvolvimento do pseudocaule e do sistema radicular.

Estádio V2


Momento do surgimento do primeiro par de folhas, sendo observado também o aumento do sistema radicular. Nesta fase, o alho depende completamente dos nutrientes presentes no tecido de reserva do bulbilho, tornando o crescimento inicial bastante lento, entre 25 a 30 dias depois do plantio. Nessa fase inicia o período mais sensível de competição do alho com plantas invasoras, que para a maioria das variedades situa-se entre 27 e 113 dias. A presença de plantas invasoras nesse período pode comprometer tanto o desenvolvimento da planta quanto a formação dos bulbos.

​​​​​Estádios V3 e V4


Surgimento da terceira e quarta folhas com poucas transformações no bulbo. 




 

Estádios V5 e V6


Emissão da quinta e sexta folhas. Esse período é conhecido como “desmama” onde se esgotam as reservas de nutrientes do bulbilho e a planta passa a depender integralmente da absorção do que provém do solo; É uma fase delicada, pois a planta passa por forte período de estresse. A partir de V5 inicia-se a formação do pseudocaule, uma vez que a semente foi consumida para o desenvolvimento inicial da planta. Mudanças mais nítidas podem ser observadas em V6. 

​​​​​Estádios V7 e V8


Emissão da sétima e oitava folhas. Observa-se o amarelecimento e senescência das primeiras folhas no terço inferior da planta, que se mantém constante até o final do ciclo.



 

Estádio V9 a V11


Emissão da nona, décima e décima primeira folhas que antecedem a diferenciação do bulbo. Em algumas condições climáticas (temperaturas mais elevadas) a diferenciação do bulbo pode iniciar antes da emissão da nona folha, podendo comprometer a produtividade.


 

Estádio V12 e Vn


Emissão da décima segunda até as últimas (Vn) folhas.


 

Fase Reprodutiva 


É o período mais crítico para a cultura do alho. É a fase onde os principais componentes relacionados à produção e aceitação comercial do alho são definidos, tais como tamanho, aparência, rendimento dos bulbos e número de bulbilhos. Neste período, a necessidade de nutricional para o desenvolvimento dos bulbilhos é alto, com destaque para potássio, enxofrem boro, entre outros. Em contraponto a adubação nitrogenada compromete pode levar ao pseudoperfilhamento (superbrotamento) inviabilizando a aceitação comercial dos bulbos. O mesmo efeito é causado pela irrigação. Portanto é preciso suprimir a adubação nitrogenada e suspender a irrigação por um período definido até a completa diferenciação do bulbo.

Primeiro Estádio Reprodutivo (R1)


Correspondendo ao início da diferenciação do bulbo e consequente formação dos bulbilhos.
*O início desse estágio pode ser indicado pelo número de folhas emitidas, 9 a 11 folhas, dependo da cultivar, região e época de plantio. No entanto, o principal fator a se observar é om início do surgimento dos bulbilhos, visualizados na base da planta. A diferenciação tem seu término quando se identificam os bulbilhos completamente formados.

Segundo Estádio Reprodutivo (R2)


Ocorre o aumento da área ocupada pelos bulbilhos, para ¼ ou 25% da área total do bulbo.

Terceiro Estádio Reprodutivo (R3)


Bulbilhos passam a ocupar ½ ou 50% da área total do bulbo.

Quarto Estádio Reprodutivo (R4)


Área ocupada pelos bulbilhos passa a ser de ¾ ou 75% do bulbo. Nesse estágio ocorre o início da coloração das extremidades dos bulbilhos e o aparecimento da haste floral. Ao final da R4 pode ser realizado o desponte (poda), de cerca de 20 cm da haste floral, que em algumas regiões contribui para o aumento da produtividade. O desenvolvimento da haste floral depende das reservas nutricionais do bulbo e a sua manutenção durante o armazenamento pode comprometer a conservação do bulbo, principalmente daqueles que serão utilizados como semente.

Quinto Estádio Reprodutivo (R5) ou Fase de Maturação


Os bulbilhos ocupam 95% da área total do bulbo, chegando-se no ponto de colheita. Nesta fase restam entre 3 e 5 folhas verdes na planta. Após o fim da fase reprodutiva temos a fase da cura, que se divide em dois estágios: pré-cura (PC) e Cura (C)

Pré-cura (P)


É o processo onde as plantas, depois de colhidas, permanecem no campo expostas ao sol, de 1 a 3 dias, para secagem prévia e cicatrização de ferimentos provenientes da colheita. Entretanto, é fundamental que os bulbos sejam cobertos para evitar queimaduras. Para isso, as plantas são dispostas em fileiras de modo que as folhas de uma cubram os bulbos das outras. Para a cobertura da última fileira pode-se utilizar folhas de palmeira ou qualquer outra cobertura vegetal. Nesta fase é essencial a ausência de umidade no solo ou chuva, para que o bulbo não apodreça, prejudicando a qualidade do alho.

Cura 


Após a pré-cura as plantas são recolhidas para um galpão sombreado e penduradas em molhos ou réstias. Alguns produtores armazenam as réstias sobre paletes, e nesse caso é necessário que elas sejam invertidas com frequência para melhor ventilação, evitando o surgimento de fungos e ataque de traças. A cura é essencial para a cultura do alho, pois é nessa fase que ocorre a secagem da película (casca externa) e do pseudocaule, reduzindo o teor de umidade para que o bulbo feche, protegendo-o de doenças de armazenamento. Mesmo com as folhas secas, há continuidade do processo de transferência das substâncias orgânicas presentes nas folhas e pseudocaule para o bulbo, completando assim o ciclo de maturação do bulbo. O tempo de cura é variável, a depender das condições da umidade relativa do ar, da cultivar e do destino do produto. O período recomendado é de 30 dias. Ao fim da cura o alho pode ser comercializado ou utilizado como semente para o próximo plantio.