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Produção de mudas

Métodos de propagação

Métodos de propagação

A maioria dos plantios é realizada utilizando-se mudas obtidas pelo método convencional de propagação. Essas mudas são formadas por um rizoma ou parte dele, com um pedaço maior ou menor de pseudocaule. Desse rizoma, uma ou mais gemas (apical ou laterais) irão brotar, e cada uma vai produzir uma nova bananeira. Dentre os principais tipos de mudas obtidas de bananais, podem-se destacar o chifrão, o chifre e o chifrinho. No entanto, esse processo apresenta baixa taxa de multiplicação, além de resultar em mudas desiguais, dificultando o manejo do pomar. Pode ainda se constituir em um mecanismo de veiculação e disseminação de pragas e doenças, tais como murcha de Fusarium, moko, podridão-mole, broca, nematoides e vírus.

A baixa taxa de multiplicação das bananeiras no campo tem demandado grande interesse para o desenvolvimento de pesquisas para obter métodos de propagação vegetativa mais rápidos. Dentre esses métodos, destacam-se o fracionamento do rizoma, a multiplicação rápida in vivo e a micropropagação ou propagação in vitro. Embora os dois primeiros métodos apresentem eficiência um pouco maior do que o convencional utilizado, não são muito eficientes quanto à sanidade e à uniformidade das mudas obtidas.

Comparando-se o número de mudas obtidas e o tempo gasto na produção, verifica-se que a micropropagação é muito superior aos demais métodos. Dependendo da cultivar utilizada, o processo convencional necessita de 12 meses para obter de 10 a 30 mudas, enquanto cerca de dez vezes mais mudas são obtidas em quase metade do tempo mediante a micropropagação.

A escolha do método de propagação deve levar em consideração o número de mudas e o tempo necessário para produzi-las, o custo em relação ao retorno do plantio planejado e as questões sanitárias do material que dará origem ao novo lote de mudas, principalmente quando oriundos de regiões com altos índices de doenças e pragas.

 

Mudas produzidas no campo

  • Fracionamento do rizoma: corta-se o rizoma (batata) em vários pedaços, deixando uma gema (olho) em cada pedaço para brotar.
  • Multiplicação rápida (in vivo): força a planta a soltar mais brotos.

 

Atenção: As duas técnicas ajudam a conseguir mais mudas do que o sistema antigo, mas não resolvem o problema das doenças. Se a planta mãe estiver doente, as mudas também vão nascer doentes.

 

Mudas produzidas em laboratório (in vitro ou micropropagação)

Hoje em dia, a ciência consegue produzir mudas dentro de laboratório, onde recebem todos os nutrientes que precisam para irem ao viveiro antes do campo.

Além de totalmente sadias, as mudas de laboratório crescem do mesmo tamanho e ao mesmo tempo, o que facilita muito o trabalho de adubação, pulverização e colheita.

Veja a diferença na tabela abaixo:

Como a muda é feita Quantidade de mudas Tempo necessário Saúde da planta
Do jeito antigo (na roça) De 10 a 30 mudas 12 meses Risco alto de pragas e doenças
No laboratório (in vitro) Cerca de 100 a 300 mudas 6 meses 100% limpa e livre de doenças


Critérios para escolher um método:

  • A quantidade e o tempo: quantas mudas são necessárias e para quando?
  • Custo-benefício: a muda de laboratório é mais cara, mas o retorno com plantas sadias e colheita uniforme compensa o investimento.
  • A realidade da região: se na comunidade ou nas propriedades vizinhas já existirem casos de doenças como murcha de Fusarium ou broca, não se deve arriscar. O ideal é comprar mudas de laboratório com garantia fitossanitária.

 

Produção de mudas a baixo custo

Produção de mudas a baixo custo

A técnica PIF (do francês Plants Issus de Fragments de Tiges, ou Plantas Oriundas de Fragmentos de Tronco/Rizoma) é uma das melhores soluções para o pequeno agricultor que precisa de muitas mudas de bananeira rapidamente, com baixo custo e sem depender de laboratório.

Com apenas um rizoma (a "batata") de uma planta sadia, consegue-se produzir de 10 a 30 mudas novas em poucos meses.

O segredo da PIF é destruir a gema do topo (o olho principal) para forçar todas as outras gemas "vizinhas" (laterais) a brotarem ao mesmo tempo.

 

Características

  • Valor: multiplica-se o bananal muito rápido e de graça. É ótimo para quem quer expandir a plantação ou trocar de variedade sem gastar com mudas produzidas em laboratório.
  • Sanidade: como o rizoma é cortado em vários pedaços, se a planta-mãe tiver alguma doença (como o murcha de Fusarium ou vírus), todas as 30 mudas novas vão nascer doentes. Por isso, a planta-mãe deve ser escolhida com o máximo de rigor possível.

 

Material necessário

  • Rizomas sadios: Retirados de bananeiras produtivas e sem sinais de doenças (como murcha de Fusarium ou moko) ou pragas (como o moleque da bananeira).
  • Câmara de brotação (estufa): pode ser um canteiro no chão ou uma caixa de madeira coberta com plástico transparente para reter o calor e a umidade.
  • Substrato: serragem de madeira (não pode ser de madeira tratada com química) ou areia lavada.
  • Ferramentas: facão e faca pequena bem afiados e desinfetados (passados no fogo ou em água com água sanitária).
  • Saquinhos ou tubetes: com terra adubada para o enraizamento.

 

Passo a passo da técnica PIF

Passo 1: Descorticamento (limpeza do rizoma)
Deve-se cortar toda a parte aérea (as folhas e o tronco) do rizoma e retirar as raízes velhas e a terra. O rizoma deve ficar bem branco. Se for notado alguma galha de nematoide ou furo de broca, o rizoma deve ser descartado.

Passo 2: Eliminação da gema apical (olho principal)
Com uma faca bem afiada, deve-se fazer um corte em forma de "X" ou um furo cônico bem no meio do rizoma, onde sairia o olho principal. Isso tira a "força" do broto principal e avisa a planta que ela precisa soltar os brotos reservas.

Passo 3: Fragmentação
Deve-se cortar o rizoma ao meio ou em quatro partes (como se corta uma pizza), garantindo que cada pedaço tenha pelo menos uma gema lateral (olho ou ou calo na casca).

Passo 4: Plantio na Estufa
Os pedaços devem ser colocados deitados ou com a parte cortada para baixo na câmara de brotação, cobertos com uns dois a três dedos de serragem úmida. O plástico transparente deve ser colocado por cima para abafar. O calor e a umidade vão fazer os brotos nascerem rápido (em cerca de 15 a 20 dias).

Passo 5: Decapitação (estímulo de brotação)
Quando os novos brotos atingirem cerca de 5 a 10 cm na estufa, deve-se fazer um pequeno corte em "X" no topo de cada um deles também, sem arrancá-los da serragem. Isso faz com que cada brotinho vire mais dois ou três novos brotos.

Passo 6: Aclimatização (berçário)
Quando os brotos estiverem com duas a três folhas e algumas raizes próprias, cada um deve ser destacado do rizoma, com uma faca, com cuidado. O broto deve ser colocado em um saquinho com terra e adubo orgânico. Os sacos devem ser colocados na sombra (debaixo de um sombrite ou embaixo de um pé de árvore) e regados todo dia. Em 30 a 45 dias, a muda estará firme, com cerca de 20 a 30 cm, pronta para ir para o campo.

 

Câmara térmica (estufa)

Câmara térmica (estufa)

A limpeza e o tratamento dos rizomas são feitos usando o calor, em um processo chamado termoterapia. A estufa precisa ficar bem abafada, com a umidade do ar alta (entre 40% e 100%) e o calor, entre 50 °C e 70 ºC.

A alta temperatura consegue destruir boa parte dos vírus e garantem a produção de mudas limpas, totalmente livres de quase todas pragas e doenças.

As mudas produzidas por esse método ganham a fama de "Categoria elite" (mudas de alta qualidade), pois nascem fortes, limpas e resistem bem à hora do plantio no campo.

 

Como é feita a estrutura?

A câmara térmica é uma espécie de estufa simples: uma armação fechada com plástico transparente, que usa suportes que podem ser encontrados na propriedade, como caibros de madeira, bambu ou taquara.

Como "chão" (substrato) para plantar os rizomas costuma-se usar casca de arroz ou serragem de madeira. Essa combinação de calor, umidade e solo faz com que os "olhos" (gemas) da bananeira "acordem" muito mais rapidamente, soltando brotos sadios em tempo recorde.

 

Quebrando a força do broto principal

Antes de plantar os rizomas na estufa, deve-se cortar e retirar a gema do topo (o olho principal). Fazendo isso, retira-se a força do broto do meio e a planta é obrigada a soltar todos os outros brotos que estavam escondidos dos lados (as gemas laterais).

Estudos mostram que, enquanto na temperatura normal do campo, consegue-se retirar cerca de 30 brotos por metro quadrado no mês, dentro da câmara térmica consegue se produzir até 90 brotos no mesmo espaço e tempo! É três vezes mais rápido.

Depois, quando os brotos atingirem o tamanho o tamanho ideal de um palmo, deve-se separá-los do rizoma-mãe com cuidado e plantar cada um em um saco plástico com terra adubada, onde devem passar por um tempo de descanso (aclimatação) para ficarem fortes até a hora de irem para o lugar definitivo no campo.

 

Dica: para que nasçam ainda mais mudas, pode-se cortar o "olho" dos novos brotos de novo para forçar outra brotação.

 

Adensamento em campo

Adensamento em campo

A produção de mudas por adensamento em campo permite conseguir uma quantidade muito maior de plantas do que o método tradicional. A ideia é plantar os filhos bem juntos, em um pedaço de terra reservado só para fabricar mudas, ou seja, colocar muito mais plantas por hectare.

Deve-se retirar a dominância apical (o "olho" principal), o que faz com que a força da planta se espalhe, produzindo de 5 a 10 mudas novas em cada cova.
Essa técnica pode ser usada tanto no sistema de mudas do tipo "Barker" quanto no tipo "Hamilton" (que são formas diferentes de preparar o rizoma).