O termo "café especial" é definido por padrões técnicos rigorosos estabelecidos internacionalmente. Tecnicamente, o que define um café como "especial" é a sua pontuação sensorial e a ausência de defeitos graves nos grãos. O detalhamento dos critérios técnicos são os seguintes:
A Pontuação (O Padrão Ouro)
A definição mais importante vem da Specialty Coffee Association (SCA), a principal autoridade global no assunto.
Um café é considerado "especial" se atingir 80 pontos ou mais em uma escala de avaliação sensorial que vai até 100
Essa pontuação só pode ser dada por um degustador profissional certificado, conhecido como Q-Grader.
Avaliação é feita em um processo padronizado chamado cupping (prova de xícara).
Durante o cupping, o Q-Grader avalia dez atributos-chave do café:
Fragrância/Aroma: O cheiro do pó seco e do café após a infusão.
Sabor: A impressão principal do café na boca.
Finalização: O sabor que permanece após engolir.
Acidez: A "vivacidade" do café (não confundir com azedo). Em cafés especiais, é uma característica desejável e agradável (ex: cítrica, frutada).
Corpo: A sensação de peso e textura do café na língua.
Equilíbrio: A harmonia entre sabor, acidez, corpo e finalização.
Uniformidade: A consistência de sabor entre as diferentes xícaras provadas do mesmo lote.
Xícara Limpa: A ausência de sabores negativos ou "sujos".
Doçura: A presença de doçura natural, resultante da maturação do fruto.
Impressão Geral: A avaliação holística do provador.
A Qualidade do Grão Cru (Verde)
O café precisa atender a um padrão físico rigoroso. Para ser classificado como "especial" pela SCA, uma amostra de 350 gramas de grãos verdes (crus) deve ter:
Zero Defeitos Primários: São defeitos graves que arruínam o sabor.
Exemplos: Grão preto, grão azedo, cereja seca (casca), presença de fungosfungado, dano por inseto severo.
Máximo de Cinco Defeitos Secundários: São defeitos menores, que afetam menos a bebida.
Exemplos: Grão quebrado, grão chocho (imaturo), casca, grão levemente danificado por inseto.
A Cadeia Produtiva
Embora a pontuação e os defeitos sejam a definição técnica central, o conceito de "café especial" engloba toda a cadeia, exigindo excelência em cada etapa:
Rastreabilidade (Traceability): Um café especial deve ter sua origem conhecida, muitas vezes até o nível do microlote dentro de uma fazenda específica. Isso garante a transparência e a procedência.
Processamento Pós-Colheita: A forma como o café é seco (natural, lavado, honey, etc.) deve ser executada com precisão para evitar fermentações indesejadas e realçar os atributos do grão.
Torra: A torra de cafés especiais é tratada como uma arte e ciência. O Mmestre de Ttorra deve desenvolver um perfil que destaque as melhores características daquele grão específico (acidez, doçura, corpo), sem queimar o café.
Preparo: A extração final (seja em casa ou na cafeteria) também deve seguir padrões para honrar a qualidade do grão.
Publicações
Instituto Agronômico (IAC) pesquisa cafés especiais com sabores exóticos (Entrevista)
Instituto Agronômico (IAC) pesquisa cafés especiais com sabores exóticos (Entrevista)
Esta entrevista da Embrapa Café com um pesquisador do IAC (instituição parceira do Consórcio) define "Cafés Especiais" como aqueles que se diferenciam pela qualidade superior de bebida e ausência de defeitos.
Publicado: 22/12/2025