Antes de iniciar qualquer projeto, a partir do diagnóstico e planejamento, as primeiras ações devem ter como foco eliminar ou atenuar o(s) fator(es) de degradação na área a ser restaurada, ou ao menos isolar ao máximo a influência deles.
Um projeto de restauração poderá ser comprometido caso esse(s) fator(es) de degradação continuem atuando. Tais ações, sempre que possível, devem ser realizadas de forma integrada à gestão dos imóveis rurais e seus entornos.
Principais fatores de degradação
O controle deve começar antes do plantio e continuar, em geral, nos primeiros meses ou anos do projeto. Essa competição é apontada como uma das principais causas de fracasso em restauração. A eliminação da vegetação invasora precisa ser gradual em situações, por exemplo, de alta densidade, para evitar exposição do solo e erosão. Deve-se checar restrições legais e ambientais para o uso de herbicidas, que podem ser necessários em alguns casos. Sempre que possível, priorizam-se controles manuais e culturais, como adubação verde e nativas de rápido crescimento.
O grau de infestação vai orientar a estratégia de controle mais adequada. Em geral, usam-se iscas granuladas, que exigem aplicação com rigor técnico. Quando necessário, utilize apenas produtos registrados e aplique com segurança (o mesmo vale para cupins e outros insetos). A diversidade de espécies e o consórcio com adubos verdes podem reduzir o impacto, aumentando a oferta de forrageio. Inicie o controle antes da implantação e mantenha-o nos primeiros meses, conforme os monitoramentos.
Cercas de contenção podem ser adotadas no manejo da criação, especialmente isolando as APPs e RLs, com manutenções frequentes. Corredores de acesso à água para animais (dessedentação) podem ser usados, se necessário.
Incêndios naturais ou acidentais podem causar sérios prejuízos em áreas em restauração. Implante as proteções necessárias, como os aceiros, e mantenha-os limpos, especialmente nas épocas mais secas. Sempre que possível, treine brigadas de incêndio coletivas.
Deve-se sempre considerar medidas de conservação do solo e da água, respeitando as condições de relevo do local e utilizando técnicas que promovam a infiltração de água no solo, como o uso de plantas de cobertura e o estabelecimento das linhas de plantio de mudas ou de semeadura, em curva de nível. Quando existem processos erosivos intensos, é necessário adotar medidas de contenção, com o uso de técnicas de engenharia natural (plantas rústicas associadas com troncos, pedras, mantas de fibras de coco, entre outros).
Ações de implantação
Algumas ações de implantação costumam ser adotadas, independentemente das estratégias e técnicas escolhidas para a restauração. Essas ações devem ser adotadas antes do plantio, da semeadura e da condução da regeneração natural:
Dependendo do diagnóstico, algumas atividades podem ser necessárias, como: aração, gradagem, subsolagem ou escarificação para descompactação do solo; correção do pH (calagem) e adubação (química ou verde): deve-se seguir formulação e quantidade, em área total, ou por cova ou linha, de acordo com a análise de solos e ou de acordo com manuais de calagem e adubação para os estados, ou ainda, segundo o conhecimento do técnico extensionista. Preferencialmente realizá-la um mês antes do plantio para que haja previamente, a reação do calcário e do adubo no solo; do contrário fazer a incorporação dentro da própria cova. É interessante também fazer o aproveitamento de resíduos orgânicos existentes no imóvel rural, como fonte de adubação natural.
Quando a adubação e a calagem não forem feitas antecipadamente, recomenda-se fazê-las na linha de semeadura ou dentro da cova, misturando-os junto com o solo. Deve ser feita uma irrigação abundante logo após a semeadura ou o plantio das mudas. Na impossibilidade de irrigação no momento do plantio, bem como em semanas subsequentes, é fortemente recomendável o uso de hidrogel, bem como o uso de palhada (cobertura morta), minimizando ou evitando o estresse hídrico.
Fique atento(a)
Fique atento(a)
Para todas essas ações, devem ser levadas em consideração as particularidades relacionadas ao bioma ou tipo de vegetação onde o projeto está sendo implantado. O fogo, por exemplo, é um fator que pode ser manejado no bioma Cerrado. Busque informações nos materiais complementares para as particularidades da sua região. Em todas as etapas de implantação é importante atentar para o uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs) e coletivos (EPCs).
Publicado: 29/05/2026
Engenharia natural
A engenharia natural reúne técnicas que utilizam materiais vegetais vivos associados a materiais inertes, como rochas e madeira, para a recuperação de áreas degradadas, controle da erosão e estabilização de encostas e de taludes de estradas e de margens de cursos d’água. Diferentemente das soluções convencionais rígidas de engenharia, prioriza processos naturais, favorecendo a infiltração da água, a redução da velocidade do escoamento superficial, a proteção do solo, formação de vegetação natural e a integração das técnicas com a paisagem. A engenharia natural tende a aumentar a estabilidade com o tempo, enquanto que na engenharia convencional ocorre o oposto.
Entre os materiais utilizados, destacam-se estacas vivas, mudas de espécies nativas, sementes de espécies nativas e de adubação verde, troncos, bambu, rochas e biomantas biodegradáveis de fibras vegetais.
Dentre as principais técnicas empregadas estão:
- Enrocamento vivo: associação de rochas com estacas de plantas;
- Grades vivas: estruturas de madeira preenchidas com material vegetal para estabilização de taludes;
- Biomantas vegetadas: coberturas biodegradáveis utilizadas para proteger superficialmente o solo, em especial em superfícies declivosas;
- Entrançado vivo: trata-se de um entrelaçado de estacas vivas em estacas de madeira que ficam enterradas no solo para a providenciar firmeza. Outras possibilidades, a depender do material disponível, são estacas vivas entrelaçadas em feixes de bambus inseridos horizontalmente ao solo e presos por estacas de madeira, ou esta mesma situação, mas sem as estacas vivas.