O primeiro passo nas etapas de um projeto de restauração é conhecer o território por meio de um diagnóstico com levantamento de informações, envolvendo questões ambientais, legais, socioeconômicas e culturais. Sempre que possível, é importante optar pelo diagnóstico e planejamento participativo, que leva em consideração o diálogo com a família agricultora. Este processo vai indicar os fatores de degradação atuantes e definir as estratégias e técnicas de restauração a serem adotadas.
Podemos indicar três etapas sequenciais em um diagnóstico:
Conhecimento local do meio natural (relevo, solos, recursos hídricos e vegetação), dos sistemas de produção e de aspectos socioeconômicos e culturais.
Mapeamento de uso e cobertura das terras para identificar as áreas preservadas, degradadas e com sistemas de produção. Essas áreas são, então, comparadas com as áreas frágeis, para indicação daquelas a serem restauradas.
Na etapa de planejamento serão definidas atividades de implantação, manutenção e monitoramento.
Passo a passo da 1ª etapa:
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Por meio de imagens de satélite (do histórico da área e atuais), mapas de declividade e de solos e da análise química do solo, torna-se possível identificar as condições ambientais sensíveis, como:
➜ Solos rasos, arenosos, pedregosos ou úmidos/encharcados. Com compactação, soterramento, erosão ou voçorocas. Ácidos ou com baixa fertilidade;
➜ Soterramento ou drenagem de banhados;
➜ Assoreamento da água e solapamento das margens em corpos d´água.
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➜ Localização e porcentagem da cobertura vegetal nativa;
➜ Conectividade entre fragmentos dentro e fora da propriedade;
➜ Presença de regeneração natural em áreas de APP e RL;
➜ Presença de espécies invasoras.
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➜ Verificação de uso de agrotóxicos, em especial em áreas próximas a corpos d'água e banhados;
➜ Presença de lixo seco e tóxico depositado em locais ambientalmente frágeis;
➜ Boas práticas de conservação de solo e água.
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➜ Levantamento de imagens do acervo histórico para visualizar uso e cobertura do solo na localização;
➜ Consulta a documentos oficiais e mapas;
➜ Entrevistas com moradores locais;
➜ Cruzamento de dados e diagnóstico de campo.
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➜ Fonte de renda;
➜ Gestão financeira;
➜ Infraestrutura (tratores, sistema de irrigação, etc);
➜ Acesso a crédito e políticas públicas.
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➜ Políticas públicas como crédito rural, assistência técnica e extensão rural;
➜ Maquinários e equipamentos da prefeitura municipal;
➜ Organizações como cooperativas, sindicatos, redes sociotécnicas, mutirões.
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➜ Responsabilidades dentro da propriedade, aspirações e vocação dos membros.
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➜ Visão em relação à natureza;
➜ Formas de cultivar a terra e de criar os animais;
➜ Hábitos alimentares;
➜ Saberes tradicionais.
Potencial de regeneração natural
Na etapa de diagnóstico da área é essencial que seja avaliado o potencial de regeneração natural no local. Esse potencial reflete a capacidade da vegetação nativa se impor e se restabelecer naturalmente, recobrindo o solo e aumentando a diversidade de espécies. Porém, isso somente ocorrerá se houver contenção dos processos de degradação e de atividades agropecuárias que não condizem com uso e manejo do solo adequados.
Quanto maior o potencial de regeneração natural na área, menores tendem a ser os custos da restauração. Além disso, a presença de plantas já adaptadas ao local tende a aumentar as chances de sucesso do projeto.
A figura abaixo apresenta uma síntese das condições locais mais usuais para considerar as possíveis estratégias de recomposição:
No site do WebAmbiente você encontra várias informações sobre esse processo, desde a aba “Estratégias”, listas de espécies disponíveis por bioma e também uma aba onde você pode simular o processo de criação de um projeto de recuperação de áreas degradadas na sua propriedade.
Durante o diagnóstico é importante avaliar não somente a realidade de campo como também buscar os chamados “dados secundários”, a partir de trabalhos já realizados na região. Um bom diagnóstico ajuda muito a minimizar os riscos e potencializar os benefícios possíveis para os ecossistemas e as pessoas.
Após o entendimento da realidade do local, a partir do diagnóstico, é possível planejar as etapas seguintes do projeto: a implantação, a manutenção e o monitoramento. Essas etapas ocorrem independentemente da estratégia ou técnica a ser adotada.
Durante o planejamento, busque:
➜ Identificar os fatores de degradação atuantes no local e indicar onde isolá-los ou eliminá-los;
➜ Levantar quais espécies são indicadas para a região, a partir de listas do órgão ambiental, de instituições de pesquisa na região ou de conhecimento prévio do agricultor. Dê preferência às espécies nativas regionais. Uma boa fonte também é a aba de espécies do site do WebAmbiente;
➜ A escolha das espécies deve levar em conta a adaptação delas para o clima, o relevo e os tipos de solos no local de implantação, sobretudo aos mais restritivos, como os solos arenosos, rasos, úmidos ou encharcados;
➜ Considere sempre os objetivos do projeto, sempre em diálogo com a família agricultora, para ajustar as densidades de plantio ou semeadura, o espaçamento de entrelinhas, as proporções de grupos ecológicos ou funcionais e as futuras ações de manutenção e manejo, tendo em vista que pode-se depender da capacidade de mão de obra, bem como do tipo ou dimensões do maquinário da família, ou do município;
➜ Cheque a infraestrutura de logística local, como acessos de estradas, maquinários, mão-de-obra local, fornecedores de insumos e ferramentas etc.
No caso dos PRADs (Plano de Recuperação de Áreas Degradadas), protocole todas as etapas do projeto junto aos órgãos ambientais envolvidos, mantendo também registros fotográficos e documentais. Respeite também as legislações trabalhistas aplicáveis, independentemente da motivação do projeto, e crie planilhas de controle financeiro e de cronograma de todas as etapas. Está é uma necessidade formal nessa situação, mas que também é válida em outros tipos de projetos vinculados a editais de financiamento, por exemplo.
Sucessão ecológica e grupos ecológicos e funcionais
A sucessão ecológica é um processo responsável pela recolonização de espaços abertos em comunidades de vegetação nativa por distúrbios naturais, quando é chamada de sucessão secundária. A dispersão de frutos e sementes, o banco de sementes no solo, o banco de plântulas e a rebrota são os principais mecanismos de regeneração natural que impulsionam a sucessão secundária.
A substituição gradual de grupos de espécies, que também caracteriza a sucessão, segue um modelo de facilitação, em que espécies mais tolerantes à maior luminosidade, às temperaturas mais elevadas e à baixa umidade nas áreas abertas pelos distúrbios vão se estabelecendo e aos poucos criando condições mais favoráveis para que espécies mais exigentes e de ciclos mais longos possam se desenvolver.
Esse formato, aplicável majoritariamente a ambientes florestais, possibilita a categorização das espécies vegetais de acordo com o estágio sucessional a que estão mais relacionadas. Como exemplo, espécies pioneiras e secundárias iniciais são as que apresentam crescimento mais rápido, têm um potencial de prover sombreamento e estão vinculadas ao início da sucessão.
As secundárias tardias e as clímaxes são espécies de crescimento mais lento e de ciclo de vida mais longo, identificadas com os estágios mais avançados de sucessão. A identificação de espécies de recobrimento (sombreadoras) e de diversidade é outra forma de classificação que se baseia na interação entre os grupos. Ambas propostas de categorização de espécies subsidiam o desenvolvimento de plantios de mudas em área total.