Na comunidade rural Juliana, em Igrapiúna (BA), Jovan Nascimento, conhecido como Branco, é agricultor familiar e cultiva cacau, banana e abacaxi em sua propriedade. Em 2012, a área foi selecionada para integrar o projeto Carbono Neutro Pratigi, conduzido pela Organização de Conservação da Terra (OCT) . A iniciativa tem como modelo central a restauração de nascentes degradadas em propriedades da agricultura familiar, com os produtores sendo remunerados pelos serviços ambientais prestados, beneficiando pessoas físicas, jurídicas e eventos que compensam emissões de carbono.
Antes do projeto, a nascente na propriedade de Jovan estava quase completamente seca, cercada por uma extensa área de pastagem degradada. Além do desafio ambiental, havia uma barreira cultural significativa: os vizinhos temiam que a adesão ao projeto significasse perda da propriedade. A desconfiança inicial foi uma das maiores dificuldades para que Jovan aceitasse participar da iniciativa.
"No começo os meus vizinhos na comunidade acharam que tudo isso era uma loucura e que eu perderia a terra. Bruna e Rogério me explicaram o projeto e dei liberdade para mapearem a minha terra." — Jovan Nascimento, agricultor familiar
A nascente foi recuperada e hoje abastece toda a irrigação da roça de cacau. O plantio seguiu distribuição técnica: 80% das mudas em seções de recobrimento e 20% em seções de diversidade, além de mudas de cacau para composição de Sistema Agroflorestal (SAF).
➜ 1.797 mudas plantadas de espécies nativas
➜ 32 espécies nativas diferentes utilizadas
➜ 300 toneladas de CO² a neutralizar ao longo de 30 anos
➜ 30 anos: horizonte do projeto de compensação de carbono
"O que no começo era loucura para muitos, hoje eu tenho água para irrigar toda minha roça de cacau." — Jovan Nascimento
➜ Assistência técnica presencial e continuada foi decisiva para vencer a resistência inicial. A equipe da OCT (Bruna Sobral e Rogério Ribeiro) visitou a área, mapeou a propriedade e explicou o projeto com transparência.
➜ O modelo de Pagamento por Serviços Ambientais tornou a participação atrativa, mostrando que conservar e gerar renda não são objetivos opostos.
➜ A combinação de espécies nativas com culturas produtivas (cacau em SAF) garantiu tanto a restauração ecológica quanto a viabilidade econômica da propriedade.
➜ A confiança construída individualmente com o produtor foi o ponto de virada, sem essa relação, a adesão não teria acontecido.
➜ A desconfiança comunitária pode ser uma barreira persistente em contextos rurais, exigindo investimento contínuo em comunicação e construção de confiança antes da adesão de novos produtores.
➜ O relato não menciona mecanismos de monitoramento de longo prazo da nascente ou dos indicadores de carbono, um ponto que pode ser fortalecido para futuras comunicações.
➜ A dependência de equipes técnicas externas para mapeamento e execução pode ser um limitador de escala sem estratégias de formação local.
Jovan Nascimento expressa o desejo de continuar contribuindo para que seus filhos e netos possam conhecer e conservar a floresta. Sua propriedade tornou-se uma prova viva de que pequenas propriedades rurais podem ser protagonistas da restauração ambiental sem abrir mão da produção. O caso representa um modelo replicável para outras comunidades do entorno, com potencial de efeito demonstrativo importante, convertendo o ceticismo inicial dos vizinhos em possíveis novas adesões ao projeto.
"Quero continuar fazendo a minha parte para possibilitar que meus filhos e netos conheçam e conservem a floresta." — Jovan Nascimento
