O Assentamento Dois Riachões, em Ibirapitanga (BA), é formado por cerca de 40 famílias e tornou-se referência estadual em agricultura sustentável e agroindústria comunitária. Ao longo de 14 anos de parceria com a Organização de Conservação da Terra, a comunidade desenvolveu um modelo integrado que combina restauração florestal, educação ambiental, certificação orgânica participativa e Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). A OCT atua com assistência técnica contínua e suporte estratégico, sendo pioneira na implementação do PSA nos municípios baianos há mais de uma década.
A Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos do planeta, perdeu cerca de 88% de sua cobertura original, restando apenas 12% dos mais de 1,3 milhão de km² que ocupava originalmente em 17 estados. A região de Ibirapitanga insere-se neste cenário crítico. As famílias do assentamento enfrentavam o desafio de gerar renda a partir da terra sem comprometer os recursos naturais disponíveis, num contexto em que ainda predominava a visão de que produção agrícola e conservação ambiental são atividades incompatíveis.
Em setembro de 2020, em parceria com a organização internacional One Tree Planted, foram plantadas as 10.131 mudas na área de 4 hectares. Desde então, a OCT mantém monitoramento rigoroso para garantir a manutenção e o crescimento saudável da nova floresta. A comunidade também desenvolve produção de cacau de alta qualidade com manejo agroecológico.
➜ 10.131 mudas de espécies nativas e frutíferas plantadas
➜ 4 hectares de área em restauração florestal ativa
➜ 14 anos de parceria contínua com assistência técnica da OCT
➜ Referência estadual em agricultura sustentável e agroindústria comunitária
➜ Parcerias de longo prazo são transformadoras. Os 14 anos de atuação contínua da OCT permitiram construir confiança, acumular aprendizados e gerar impactos progressivos que parcerias pontuais não alcançariam.
➜ O PSA como ferramenta de viabilização econômica da conservação foi central. Ao remunerar os serviços ambientais, a iniciativa tornou a restauração financeiramente atrativa para as famílias.
➜ A certificação orgânica participativa agregou valor ao produto e abriu mercados diferenciados, fortalecendo a renda das famílias.
➜ A integração entre floresta e produção, com o manejo agroecológico do cacau, demonstrou na prática que os dois pilares se reforçam mutuamente.
➜ Os desafios internos de governança comunitária costumam ser complexos em assentamentos com diferentes perfis produtivos.
➜ A dependência de parcerias internacionais para viabilizar plantios de maior escala aponta para a necessidade de diversificação das fontes de financiamento.
➜ A manutenção da certificação orgânica exige esforço contínuo de documentação e adequação, o que pode ser oneroso para pequenos produtores sem suporte técnico permanente.
O Assentamento Dois Riachões representa uma demonstração concreta de que a conservação ambiental e a produção agrícola são pilares complementares de um modelo econômico próspero e regenerativo. A trajetória da comunidade oferece um referencial replicável para outros assentamentos da Mata Atlântica baiana e do Brasil, especialmente no que diz respeito à integração entre PSA, agroecologia e agroindústria comunitária. O legado é também institucional: a OCT consolida, com este case, sua expertise como articuladora de soluções integradas para a agricultura familiar. As ações implementadas na comunidade demonstram de forma tangível que conservação ambiental e produção agrícola não são excludentes, mas sim pilares de um modelo econômico próspero e regenerativo para o campo
