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Potencial da Ater digital

Os serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) mediados pela comunicação digital

Os serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) mediados pela comunicação digital apresentam um grande potencial para gerar benefícios significativos aos extensionistas, agricultores, organizações públicas, privadas e do terceiro setor, além da inclusão de jovens nos assuntos rurais.

Confira as principais vantagens e possibilidades da Ater digital:


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Fortalecimento das redes sociais e produtivas

O uso de plataformas de videoconferência e aplicativos de mensagens instantâneas fortalece a comunicação entre técnicos e agricultores, facilitando a criação de vínculos, articulações coletivas e iniciativas como a formação de associações e cooperativas.

Inovação nos processos formativos

A comunicação digital viabiliza o desenvolvimento e uso de sistemas de ensino-aprendizagem em rede, que potencializam a transferência, o compartilhamento e a construção conjunta e participativa de novas tecnologias com os agricultores e jovens.

Melhoria na biossegurança

A redução do fluxo de pessoas circulando entre propriedades e comunidades contribui para elevar o nível de biossegurança nos sistemas produtivos, minimizando riscos de contaminações biológicas e sanitárias entre os sistemas produtivos.

Redução de custos operacionais

Um dos principais fatores de economia está na diminuição da necessidade de deslocamentos presenciais dos extensionistas às propriedades rurais, o que reduz gastos com transporte, hospedagem e tempo de trabalho em trânsito.

Expansão e eficiência dos serviços de Ater
  • A Ater digital permite aumentar o alcance das ações de extensão, atendendo um número maior de agricultores em diferentes territórios;
  • Proporciona maior frequência nos encontros, favorecendo o acompanhamento contínuo dos processos produtivos no campo;
  • Oferece maior agilidade no atendimento, reduzindo o tempo de resposta entre a demanda dos agricultores e a ação técnica;
  • Permite a geração de mais informações cotidianas (produção, comercialização, uso de insumos) de maneira rápida, direta e a baixo custo.

Inclusão digital nos serviços de Ater


Para refletir: inclusão digital nos serviços de Ater

A inclusão digital pode ser entendida como a garantia de acesso à internet e suas linguagens, infraestrutura e equipamentos para usar a rede, bem como conhecimento para produção e compreensão de conteúdos.

É importante destacar que a inclusão digital não tem o mesmo significado de inclusão social, mas devem ser buscadas em conjunto por meio de ações como: a educação dos agricultores e suas famílias para o uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC); a necessidade de adaptar as tecnologias de comunicação para idosos e pessoas com deficiência (PcD).

Inclusão digital: uma problemática do campo


Inclusão digital: uma problemática do campo

Nem todas as pessoas vivenciam o mundo digital da mesma forma, em razão das oportunidades de acesso que variam de acordo com a situação econômica, cultural, política, técnica e geracional. Existem algumas lacunas desafiadoras para que inclusão digital aconteça no campo, como:  acesso à internet (banda larga e cobertura móvel), velocidade média de download, uso da internet por diferentes faixas etárias, letramento digital e alfabetização midiática, desinformação, uso de inteligência artificial, entre outros temas fundamentais para a redução das desigualdades no uso das TDIC.

Nas áreas rurais na América Latina e Caribe, por exemplo, somente 63% dos cidadãos usam a internet. Em relação à faixa etária, apenas 42% das pessoas com mais de 65 anos utilizam a internet, de acordo com dados de 2024 do CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina). 

O enfrentamento das desigualdades no acesso, no uso e na qualidade dos serviços digitais é um passo essencial para garantir a inclusão digital no campo. 

Os serviços de Ater potencializados por meio da comunicação digital


Os serviços de Ater potencializados por meio da comunicação digital

O uso das tecnologias digitais nas áreas rurais apresentam um enorme potencial de inovar processos de Ater, como a transmissão e intercâmbio de saberes locais, compartilhamento de problemas, soluções e serviços, associação para a compra e a venda de produtos, entre outros. 

De acordo com o Censo Agropecuário (2017), apenas 18,2 % dos estabelecimentos rurais recebem orientação técnica de pelo menos um serviço de Ater. Em contrapartida, dados do IBGE (2023) apontam que 81% dos domicílios rurais possuem acesso à internet, mostrando o potencial das TDIC na ampliação do número e qualidade dos serviços de Ater e sua contribuição para o fluxo de informações e conexão entre pessoas no campo.

Um estudo realizado no Distrito Federal entrevistou 43 agricultores familiares, todos com acesso à internet em seus domicílios e com posse de smartphones, indicando alguns dados interessantes sobre uso de aplicativos móveis nos territórios rurais. Em relação às plataformas digitais utilizadas, 100% dos entrevistados tinham o aplicativo WhatsApp instalado em seus celulares; 68% utilizavam o YouTube e 39% acessavam o Instagram. Por meio dessas ferramentas, 91% assistiam a vídeos, 79% ouviam áudios, 63% visualizavam imagens e 42% liam textos curtos.

Esses dados evidenciam o elevado potencial da comunicação digital para a prestação de serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). No entanto, persistem desafios importantes, especialmente no que se refere à ampliação da conectividade nas zonas rurais e à disponibilidade de dispositivos eletrônicos adequados para os agricultores e suas famílias. Superar essas limitações é essencial para o fortalecimento das ações de Ater Digital e para a inclusão tecnológica no campo.

 

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Rede Aurora

Rede Aurora

A "Rede Aurora de Diálogos em Ater Digital para a América Latina” é um coletivo composto por pessoas vinculadas a universidades, órgãos de extensão rural, defesa agropecuária e pesquisas da América Latina, Europa e África, que estão interessadas no desenvolvimento participativo dos serviços de Ater. A rede desenvolve caminhos comunicacionais dialógicos para a apropriação do conhecimento científico e dos saberes-fazeres do campo pelas pessoas que vivem e trabalham no campo. A rede auxilia na concretização de diálogos e encontros entre seus membros e convidados, que levam ao desenvolvimento de ações pedagógicas (lives e livros).

Zap Rural

Zap Rural

O Zap Rural é uma ferramenta de Ater Digital desenvolvida pela parceria entre os escritórios da Epagri  dos municípios de Descanso e Pedras Grandes, em Santa Catarina. Os criadores são os extensionistas Filipe Espíndola e Flavia Maria de Oliveira Ott.

O Extensionista

O Extensionista

O Extensionista é um portal de divulgação sobre assuntos relacionados ao mundo da agricultura, da extensão rural e desenvolvimento e tem como proposta se consolidar como um meio de acesso à informação sobre as inovações, pesquisas e experiências do mundo rural.

É um espaço virtual que se propõe conectar extensionistas, pesquisadores, agências de desenvolvimento rural, gestão pública, agricultores e jovens rurais sobre informações dos agronegócios no Brasil e no mundo.

Publicações

O agricultor familiar e os aplicativos móveis: fatores que afetam o uso da tecnologia no campo

Publicação - agricultores familiares e os apps

O agricultor familiar e os aplicativos móveis: fatores que afetam o uso da tecnologia no campo

O agricultor familiar e os aplicativos móveis: fatores que afetam o uso da tecnologia no campo

O estudo analisa os principais fatores que influenciam o uso de aplicativos móveis por agricultores familiares do Distrito Federal. A pesquisa mostra que, embora todos os participantes tenham acesso a smartphones, energia elétrica e internet, enfrentam limitações como baixa qualidade de conexão, aparelhos com pouca capacidade e pouco conhecimento sobre tecnologias voltadas à agricultura. O trabalho destaca o potencial dos aplicativos móveis como porta de entrada para a agricultura digital e reforça a importância de políticas públicas e soluções tecnológicas acessíveis para apoiar a inclusão digital no campo.

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Publicado: 12/08/2025