A Ater está em constante transformação e as novas tecnologias têm sido grandes aliadas para tornar a prática extensionista mais ágil, acessível e eficiente. Confira a seguir dicas práticas de como aplicar a Ater Digital no dia a dia, combinando diferentes formas de comunicação (digital, analógica, presencial e remota) e ferramentas digitais, como aplicativos, redes sociais, vídeos, podcasts e outros recursos que podem facilitar o atendimento técnico, a formação e o acompanhamento das famílias rurais.
As formas e momentos da prática extensionista
As formas e momentos da prática extensionista
As interações na prática extensionista podem ser organizadas em seis categorias, todas em contextos rurais (propriedades agrícolas) ou urbanos (escritórios de órgãos de Ater). Essas categorias combinam diferentes modalidades de comunicação — analógica e digital — em formatos presenciais ou remotos:
Emprega nos encontros síncronos com uso de materiais impressos (textos, cartazes, figuras) em atividades como reuniões técnicas e dias de campo. Ocorrem dentro ou fora das propriedades, promovendo o diálogo direto entre extensionistas e agricultores.
A interação é realizada de forma assíncrona por meio do envio físico de materiais didáticos (textos e figuras impressos) via correio ou distribuídos em locais estratégicos (ex.: sedes de cooperativas), atendendo grupos ou indivíduos.
Acontece por meio de internet e telefonia, utilizando aplicativos como WhatsApp, Telegram, Google Meet e redes sociais. Permite trocas síncronas ou assíncronas com envio de vídeos, mensagens, textos e imagens, de forma individual ou em grupos.
Acontece nos encontros presenciais com uso de tecnologias digitais (celulares, computadores, TVs) conectadas ou não à internet, onde os conteúdos são apresentados por meio de mídias digitais em tempo real.
Interações assíncronas entre os interlocutores com envio físico de materiais analógicos que contêm elementos digitais, como QR Codes que permitem acesso online a vídeos, áudios e outros recursos complementares.
Ocorre nos encontros atividades síncronas com uso simultâneo de recursos físicos (ex.: cartazes, flip charts) e digitais (ex.: QR Codes que direcionam a conteúdos online), favorecendo a integração de diferentes suportes de aprendizagem.
No intuito de ilustrar os momentos híbridos de comunicação (analógica, remoto, presencial, digital etc.) que ocorrem nas atividades do serviço de Ater, trazemos um relato do cotidiano contemporâneo da prática extensionista:
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“Recebi de manhã uma ligação telefônica no escritório da Emater de um produtor rural familiar solicitando auxílio para vacinar seus animais (fêmeas bovinas) contra brucelose. A vacina exige receita emitida pelo médico veterinário, então combinei com o produtor que emitiria tal receita e ele pegaria no escritório. No período da tarde, após a compra da vacina, eu me desloquei para a propriedade rural para ajudar o agricultor a vacinar seus animais. Deixei uma recomendação escrita no papel para que ele providenciasse, também, a vacinação contra outras doenças importantes para bovinos, como raiva e clostridioses. Expliquei que na região onde estávamos, tive conhecimento e acompanhei diversos casos de botulismo, doença que faz parte do grupo das clostridioses, e que por isso era melhor se precaver. O produtor rural me perguntou como era essa vacina, porque ele não se lembrava do nome, mas se visse o frasco da vacina, talvez saberia dizer se já havia ou não aplicado anteriormente. Então eu abri a internet no tablet e pesquisei sobre a vacina, mostrando pra ele fotos de diferentes frascos e laboratórios. Ele reconheceu a vacina, mas disse que havia alguns anos que não aplicava no rebanho e, portanto, iria providenciar. Perguntou, ainda, quais eram os prováveis sintomas da doença. Quando expliquei de forma detalhada, o senhor fez uma chamada de vídeo por WhatsApp para outro produtor vizinho pedindo que eu explicasse novamente sobre os sintomas de clostridioses, pois deveria ser isso que estava afetando seu rebanho. Na conversa com este vizinho, outros exemplos de possíveis casos na vizinhança surgiram. Então, decidimos que iríamos organizar um evento coletivo em forma de reunião técnica para tratar deste assunto, convidando outros produtores da mesma comunidade. Por fim, deixei uma receita de aquisição de vacina contra clostridioses (escrita em papel) para o vizinho da chamada de vídeo, me colocando à disposição para realizar a vacinação dos animais. O vizinho disse que iria mais tarde buscar a receita nesta propriedade de seu amigo”.
Relato de Renato Lopes, extensionista da Emater-DF (julho de 2022)
Publicado: 25/08/2025
Publicações
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O estudo de 2024 da Universidade Federal de Viçosa (UFV) apresenta uma análise dos modelos, metodologias e custos envolvidos na implementação da Ater digital no Brasil, com foco na agricultura familiar. A publicação enfatiza a necessidade de incorporar Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) para ampliar o alcance e a qualidade do serviço. O estudo sugere a adoção de modelos digitais e híbridos, aliados a infraestrutura adequada e capacitação contínua, como caminhos para tornar a extensão mais inclusiva, eficiente e sustentável. Confira, ainda, um cronograma detalhado para a implementação de serviços de Ater, organizado em diferentes atividades distribuídas ao longo de 12 meses (pág. 37).
Publicado: 21/08/2025