Desde o final da década de 1990, os sistemas de cultivo que ajudam a recuperar pastagens por meio de culturas produtoras de grãos ou silagem ganharam força na região Sudeste. De lá para cá, sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), pastagem-floresta (IPF) e lavoura-pecuária-floresta (ILPF) têm mostrado ser viáveis tanto técnica quanto economicamente, adaptando-se bem às atividades agrícolas e pecuárias locais.
Entendendo a ILPF
Conhecendo as modalidades da estratégia ILPF
A ILPF é uma estratégia que visa a produção sustentável, que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado, e busca efeitos sinérgicos entre os componentes do agroecossistema, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e aviabilidade econômica.
O que devo saber sobre ILPF em MG?
Integração Lavoura-Pecuária (ILP)
Características da Modalidade em Minas Gerais
Foco: Lavoura agrícola com forragens sob modalidade de consórcio, sucessão ou rotação de culturas, na mesma área, em um mesmo ano agrícola ou por múltiplos anos.
Combinações possíveis
Grãos ou Silagem: Milho + capim: Gênero Urochloa (Syn. Brachiaria) e Megathyrsus (Syn. Panicum).
Silagem ou Pastejo: Sorgo forrageiro + capim: Gênero Urochloa (Syn. Brachiaria) e Megathyrsus (Syn. Panicum).
Produção de grãos: Soja + capim: Gênero Urochloa (Syn. Brachiaria) e Megathyrsus (Syn. Panicum).
Integração Pecuária-Floresta (IPF)
Características da Modalidade em Minas Gerais
Foco: áreas com a integração dos componentes pecuária e floresta em consórcio.
Forrageiras: Forrageiras do Gênero Urochloa (Syn. Brachiaria) e Megathyrsus (Syn. Panicum) consorciadas com espécies florestais.
Componente forestal: Predomínio do eucalipto como espécie exótica, com usos pontuais de outras espécies tais como: mogno africano, mutambo, capixingui, ipê felpudo, sansão-do-campo, gliricídia, angico vermelho, jacarandá-da-bahia, coqueiro.
Integração Lavoura-Floresta (ILF)
Características da Modalidade em Minas Gerais
Foco: Integração dos componentes floresta e lavoura, pela consorciação de espécies arbóreas com cultivos agrícolas anuais ou perenes.
Componente Florestal: Predomínio do eucalipto como espécie exótica, com usos pontuais de outras espécies tais como: mogno africano, mutambo, capixingui, ipê felpudo, sansão-do-campo, gliricídia, angico vermelho, jacarandá-da-bahia, coqueiro.
Componente agrícola
Grãos: Soja, milho, sorgo e trigo.
Silagem: Sorgo forrageiro + capim: Gênero Urochloa (Syn. Brachiaria) e Megathyrsus (Syn. Panicum).
Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)
Características da Modalidade em Minas Gerais
Foco da Modalidade: Áreas com pastagens degradadas; lavouras com problemas de produtividade.
Destaque: Milho, sorgo (forrageiro, granífero ou pastejo) e milheto consorciados com capins.
Forrageiras mais usadas: Gênero Urochloa (Syn. Brachiaria) e Megathyrsus sp. (Syn. Panicum).
Componente florestal: Predomínio do eucalipto como espécie exótica, com usos pontuais de outras espécies tais como: mogno africano, mutambo, capixingui, ipê felpudo, sansão-do-campo, gliricídia, angico vermelho, jacarandá-da-bahia, coqueiro.
Em Minas Gerais, a adoção dos sistemas ILPF foi impulsionada por ações do governo e iniciativas da Embrapa, Epamig e universidades. Esses sistemas servem para diversificar a renda dos pecuaristas e recuperar áreas degradadas, especialmente em regiões montanhosas.
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Quais são as principais opções de consórcio de culturas existentes para o sistema de ILP na região Sul?
Na parte mais fria da região Sul (subtropical), a principal e mais difundida opção é o consórcio entre aveia-preta e azevém no inverno, implantados simultaneamente. Além da facilidade de obtenção de sementes, implantação e manejo, esse consórcio, quando comparado ao cultivo solteiro de aveia-preta ou azevém, possui alta compatibilidade com o cultivo de soja, milho ou feijão em sucessão e proporciona forragem de alta qualidade por um período maior de tempo. Nesse sentido, a aveia, de crescimento mais rápido, permite que o início do pastejo ocorra cedo, enquanto o azevém, por ser mais tardio, possibilita que os animais permaneçam na área por um período maior de tempo, geralmente até o outubro.
Outras espécies forrageiras podem ser inseridas no consórcio de aveia-preta + azevém. Por exemplo, a inclusão do centeio (Secale cereale) permite a entrada dos animais ainda mais cedo na área, aumentando o período de pastejo. Outra opção de consórcio de inverno que pode ser utilizada, principalmente quando o objetivo é a produção de leite, é o consórcio de aveia + azevém + ervilhaca-comum (Vicia sativa). Todavia, em geral, o preço das sementes de ervilha é elevado, o que limita o seu uso em larga escala.
Em regiões do Sul do Brasil onde as condições climáticas permitem o cultivo da segunda safra de milho (principalmente no norte e no oeste do Paraná), o consórcio dessa espécie com forrageiras tropicais, como as braquiárias, permite a produção de grãos, palha, raízes e forragem em uma mesma área e safra. Após a colheita do milho, a forrageira tropical pode ser pastejada e dessecada para o cultivo subsequente de soja, ou então pode ser mantida na área, constituindo pastagem perenizada. O consórcio de milho ou sorgo (Sorghum spp.), para produção de grãos ou silagem, com espécies forrageiras tropicais também pode ser realizado no verão. Após a colheita das espécies graníferas (grãos ou silagem), as forrageiras tropicais podem ser utilizadas para pastejo direto em um período de baixa disponibilidade de forragem (março a maio). Entre as melhores opções de forrageiras para consórcio com milho ou sorgo, tanto no verão quanto no inverno, destacam-se as espécies Urochloa ruziziensis (syn. Brachiaria ruziziensis) e Urochloa brizantha, cultivares Piatã ou Xaraés. Cabe ressaltar que, se o objetivo for a formação de pastagem perenizada, U. brizantha e Panicum maximum devem ser preferidas em relação a U. ruziziensis.
Capítulo: Práticas e Manejo de Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária e de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta para a Região Sul
Número da Pergunta: 160
Ano: 2015
Podcast
Oportunidades e usos da ILPF nas regiões de Mares e Morros do Sul e Sudeste
Oportunidades e usos da ILPF nas regiões de Mares e Morros do Sul e Sudeste
A região mais próxima do litoral, no Sul e Sudeste do Brasil, tem características semelhantes. Além do bioma Mata Atlântica, a topografia acidentada com a serra do mar, serra da Mantiqueira, serra da Canastra e outras serras é uma constante. Em meio a isso, há áreas com solos mais produtivos, como a terra roxa, e outras com solos mais desafiadores. Ao mesmo tempo, esta região concentra a maior parte da população brasileira e a melhor logística do país. Todos esses fatores influenciam na hora do produtor rural definir qual sistema produtivo irá adotar. O podcast fala sobre as oportunidades de uso de sistemas ILPF nesta região.
Publicado: 26/06/2024
Vídeos
Minas Gerais 1 - Utilização de aveia mais azevém sob pastejo
O pesquisador Carlos Eugênio Martins, da Embrapa Gado de Leite, fala sobre o plantio de aveia e azevém para o pastejo do gado leiteiro no inverno.
Minas Gerais 2 - Controle de plantas daninhas na implanta o do eucalipto em sistemas de iLPF
O pesquisador Alexandre M.Brighenti dos Santos, da Embrapa Gado de Leite, faz recomendações de como fazer o controle das plantas daninhas na implantação do eucalipto em iLPF.
Minas Gerais 3 - Controle de formigas cortadeiras na implanta o do eucalipto em sistemas de iLPF
O pesquisador Alexandre M.Brighenti dos Santos fala sobre a importância do controle das formigas durante a implantação do eucalipto.
Minas Gerais 4 - Implanta o do sistema iLPF na agricultura familiar
O extensionista da Emater-MG, Leonardo Calsavara, fala sobre a experiência de implantação do sistema iLPF, numa propriedade de agricultura familiar, em Coronel Xavier Chaves-MG.
Minas Gerais 5 - Importância do planejamento para a implanta o do sistema iLPF
O extensionista da Emater-MG, Leonardo Calsavara, fala sobre a importância do planejamento para implantação do sistema iLPF na agricultura familiar.
Minas Gerais 6 - Diversificação de renda na propriedade leiteira por meio da produção florestal
O pesquisador Marcelo Müller, da Embrapa Gado de Leite, fala como o sistema iLPF pode contribuir para a diversificação da renda na propriedade leiteira.
Minas Gerais 7 - Manejo do Componente Florestal em sistemas de iLPF
O pesquisador Marcelo Müller, da Embrapa Gado de Leite, mostra como a dinâmica do componente florestal modifica a interação dos componentes do sistema iLPF.
Minas Gerais 8 - Arranjos espaciais de árvores em sistemas iLPF para reas montanhosas
O pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Marcelo Müller, sobre a implantação dos arranjos espaciais e espaçamento entre árvores, em terrenos acidentados.
Minas Gerais 9 - Implantação do sistema iLPF no Sítio Correias em Cel. Xavier Chaves (MG)
O produtor Márcio José de Resende fala sobre sua experiência na implantação do sistema iLPF, na sua propriedade, em Coronel Xavier Chaves-MG.
Minas Gerais 10 - Implantação do sistema iLPF em Coronel Xavier Chaves (MG)
O produtor Vanderlei dos Reis Sousa fala da sua experiência na implantação do sistema iLPF na Chácara dos Gabirobas, em Cel Xavier Chaves-MG.
Minas Gerais 11 - Implantao da iLPF em Mar de Espanha (MG)
O produtor Sérgio Machado relata sua experiência na implantação do iLPF no Sítio do Valão, em Mar de Espanha -MG.
Minas Gerais 12 - Implantação da iLPF em Mar de Espanha continuação
O produtor Vicente de Paula Machado fala sobre a experiência na implantação da iLPF no Sítio do Valão, em Mar de Espanha -MG
Publicações
Sistemas ILPF e transferência de tecnologia nos Estados do Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo
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Sistemas ILPF e transferência de tecnologia nos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro
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Implantação de Sistema ILPF com as culturas de sorgo forrageiro, capim marandu e eucalipto na região central de MG
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Integraçação Lavoura-Pecuária-Floresta: o produtor pergunta, a Embrapa responde
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